ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Lucimére Camara Reis

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Imagem: acervo Portal Educação Inclusiva

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No presente relato, compartilho minhas experiências vivenciadas durante o Estágio Supervisionado realizado em uma Escola Municipal em Nova Iguaçu – RJ, durante minha Pós- Graduação em Educação Especial. Realizei também nesse período, o Curso Livre de Libras em uma Instituição no RJ, relacionado ao Aperfeiçoamento Profissional, do qual estarei relatando também um pouco, uma vez que este estava incluído nos conhecimentos adquiridos no período do estágio. O estágio, em geral, teve como objetivo a observação e vivência da realidade escolar, o conhecimento das práticas educativas na Educação Especial, bem como o acréscimo do conhecimento básico na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Minhas primeiras expectativas giravam em torno da aquisição de novos conhecimentos relacionados à prática docente a fim de vincular as teorias aprendidas durante a pós-graduação e a prática educativa na Sala de Recursos (SR).
O mesmo foi realizado no período compreendido entre 6 de março de 2017 a 21 de junho de 2017. Já o Curso de Libras, ocorreu em sala de aula, separada para esse fim e iniciou em fevereiro de 2017, sendo seu término apenas em dezembro de 2017, e o mesmo dividido em módulos com 40h cada. Os dados coletados serão incluídos no presente relato.
Percebi, ao longo do estágio, que essa é uma escola bem estruturada e organizada. A mesma possui 15 salas de aula, sala de recursos, sala de professores, refeitório, banheiros, áreas administrativas, quadra. O atendimento é realizado nos turnos da manhã e da tarde e conta com 60 funcionários, dentre os quais estão secretários, dois coordenadores pedagógicos (um para cada turno), coordenadora, diretora, vice-diretora, auxiliares de serviços gerais, merendeiras. Porém falta orientador pedagógico, onde se observa uma sobrecarga da equipe diretiva ou gestora em relação à demanda de aluno-escola-responsável. A Sala de Recursos funciona de 3ª à 6ª feira em ambos os turnos para atendimento aos alunos e nas 2ª feira para planejamento das atividades semanais e atendimento aos responsáveis. Os alunos que estudam na parte da manhã, freqüentam a SR à tarde e os da tarde, frequentam pela manhã.

 

 

"...fiquei feliz em perceber que a prefeitura de Nova Iguaçu apóia integralmente esse trabalho de inclusão escolar."

Durante a Observação, pude perceber que aquela escola realiza um trabalho de gestão participativa, bem integrada e fundamentada por uma proposta de ação educativa com a intenção de formar agentes de transformação, visando o bem estar da sociedade. A família, os professores e a equipe escolar são parceiros permanentes. Todos os professores, uma vez por mês, participam do programa de formação continuada, oferecido pelo município de Nova Iguaçu, no qual são ministradas palestras informativas que os atualizam, bem como oficinas para serem utilizadas em sala de aula.

A professora da sala de recursos, participa do programa de formação continuada, ofertada pelo município mensalmente, onde são ministradas palestras informativas e atualizadas sobre as deficiências bem como oficinas pedagógicas e ela atende alunos com deficiências variadas, incluindo 15 alunos assistidos 2 dias na semana por 2 horas/dia (cada), entre os quais se tem 11 laudados (4 com Deficiências múltiplas, 1 Síndrome de Duchenne, 1 Autista, 3 com Deficiência Intelectual, 1 Surdo e 1 com Esquizofrenia) e outros 4 alunos que estão em investigação médica, e ainda não possuem laudo. Durante o estágio percebi que a professora é bastante organizada e compromissada com seu trabalho e que o mesmo é feito com carinho, dedicação e respeito.
A professora, após identificar a necessidade do aluno, elabora um plano pedagógico de atendimento individual para assisti-lo na sala de recursos. Esse aluno chega à sala de recursos, depois que a professora do ensino regular identificou alguma dificuldade que ele apresenta. Assim que a professora percebe alguma atitude diferente, chama o responsável e conversa com ele, fazendo as observações necessárias e orienta que esse responsável procure um pediatra. Esse profissional fará exames prévios e o encaminhará a um profissional específico, se for o caso. Uma vez identificado o problema, é emitido um laudo que será apresentado pelo responsável ao professor de Ensino Regular que conversará com ele junto ao professor da SR. O aluno só frequentará a SR diante a liberação de seus pais e de sua aceitação. Faz parte também das ações do profissional da SR, organizar o tipo e o número de atendimento aos alunos na Sala de Recursos Multifuncional e ensinar aos mesmos, atividades da vida diária e a usar recursos de Tecnologia Assistiva, tais como: Tecnologia de Informação e Comunicação, Comunicação Alternativa e Aumentativa, Informática acessível, Recursos ópticos e não ópticos, os Softwares específicos, os Códigos e Linguagens, as Atividades de Orientação e Mobilidade, entre outras; de forma a ampliar ou potencializar as habilidades funcionais dos alunos, promovendo sua autonomia e participação. Observando os materiais disponíveis, fiquei feliz em perceber que a prefeitura de Nova Iguaçu apóia integralmente esse trabalho de inclusão escolar.

Durante o período de Co-participação, tive o privilégio de acompanhar três alunos com DI (Deficiência Intelectual) em suas atividades e um deles, possuía ainda dificuldade na fala. Utilizamos vários jogos de mesa para formar palavras e frases que iam sendo repetidas por eles à medida que ia ensinando e orientando. Trata-se de uma atividade que contribui para aperfeiçoar a atenção e a concentração.
Acompanhei também uma atividade realizada com ajuda do computador para um desses alunos. Nela, o aluno deveria clicar em cima de um objeto ou animal que iniciava com alguma letra do alfabeto. Por exemplo, quando fosse a letra “B” ele só poderia marcar os que começavam com essa letra. Como esse aluno apresentava baixa concentração, percebi que o mesmo exercício tinha que ser feito várias vezes para que ele conseguisse entender o que era pra ser feito, pois muitas vezes ele marcava tudo, sem parar para prestar atenção. Depois, já no finalzinho do exercício, ele conseguiu marcar alguma coisa sozinho.

Com um outro aluno que tinha problemas também na fala, trabalhamos exercício de consciência fonológica através de jogos em software, onde o aluno é estimulado através do jogo a repetir as palavras de forma correta e, assim, vai ganhando pontos.
Nesse contato com a escola, durante o estágio, assisti a uma aula de matemática para o ensino fundamental. Enquanto o professor estava corrigindo exercícios com os alunos relativos a numerais ordinais e cardinais, uma intérprete, sentada em frente ao aluno surdo, ia interpretando, em LIBRAS, aquilo que o professor perguntava aos alunos.
Embora o aluno tivesse acesso ao conteúdo, percebi que ele ficava ali com a intérprete, sem compartilhar aquele conhecimento com seus colegas. E embora o professor fosse excelente, percebi a dificuldade do professor em tentar envolver os outros alunos com deficiência, que desviavam a atenção dos colegas durante a aula.

Conversando com a professora da SR, soube que Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de Nova Iguaçu pretende matricular mais um aluno com deficiência e inseri-lo também nessa turma. Então, ela me falou sobre a preocupação dos professores que sentem dificuldade de lidar com a quantidade de crianças com deficiência já existentes em sala e que acrescentar mais algum seria inviável.
Diante o exposto, percebi que esse trabalho requer muita dedicação, carinho e paciência e que, o professor deve conhecer bem as limitações desses alunos, para conseguir acompanhá-los e ajudar no seu desenvolvimento que, na maioria dos casos, é um processo demorado, porém muito gratificante. A professora da SR destacou que, na avaliação, cada caso dever ser estudado separadamente, levando em consideração as limitações do aluno e seu processo de desenvolvimento durante o ano, e sobretudo deve-se valorizar no aluno, as suas potencialidades.
Percebi a importância do planejamento de aula, e que a professora da SR não abre mão de fazê-lo, uma vez que a escola separa um dia para isso. Tal dedicação me leva a pensar o quanto é importante também a participação continuada em cursos e palestras para o professor de AEE. Porque esses são locais onde há trocas de informações, as quais certamente contribuem para a aquisição de novos conhecimentos.

“A prática avaliativa deve ser capaz de ir além de avaliar a aprendizagem, mas entender o valor individual de cada aluno, propiciando o seu crescimento como indivíduo e como integrante de uma sociedade. E que acima de tudo, seja uma avaliação envolvida com uma prática pedagógica real, inovadora, não excludente e muito amorosa”. (Luckesi, 1996).
Iniciei o Curso Livre de LIBRAS em fevereiro. Trata-se de um curso registrado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), sendo ministrado por um professor Surdo. Nele, as aulas são divididas em módulos, com a realização de um ditado e uma prova a cada módulo. Em nossa sala participam 25 alunos, sendo 3 deles alunos surdos e o restante alunos ouvintes. Confesso que no primeiro dia de aula, quando vi que o professor era surdo, pensei em ter muita dificuldade em compreendê-lo. Porém, fiquei surpresa ao longo do curso, como ele consegue através dos gestos se fazer compreender.
Durante o curso aprendi a gostar dessa língua e também passei a compreender que o surdo não é mudo. Antes, eu tinha um certo receio de me deparar com um surdo e não saber me comunicar. O meu olhar sobre eles era totalmente diferente do que possuo agora; pois aprendi a respeitá-los e que eles, apesar da ausência da fala podem se comunicar. Quero aprender cada vez mais sobre eles e sua língua e os vejo como pessoas iguais a nós. Tenho orgulho de me relacionar com um Surdo inteligente como o professor Rafael. 

Conclusão:
Durante o estágio no âmbito escolar, foi de fundamental importância os momentos de observação, participação e discussões que envolveram o aprendizado e acompanhamento dos alunos na sala de recursos bem como conhecer os conteúdos que podemos desenvolver nesse ambiente como os jogos interativos, figuras, imagens, etc. que foram utilizados para auxiliar os alunos em seu desenvolvimento. Essa experiência nos proporcionou uma ampliação de conhecimento sobre os tipos de alunos com necessidades especiais e que material utilizar para trabalhar as várias deficiências dos quais eles são portadores. Acredito que tudo o que aprendi nesse estágio, foi de extrema importância para meu futuro como docente e para compreender como trabalhar com os alunos da Educação Especial.

Pois a prática na Sala de Recursos nos proporcionou um contato direto com o que até então era apenas um conhecimento teórico. A prática durante o estágio, certamente serviu para agregar novos conhecimentos e desenvolver algumas potencialidades. Esse contato mais íntimo com alunos que apresentam necessidades especiais oportunizou situações diversas para a compreensão não só do ambiente escolar, sua organização e prática, como também conhecer e respeitar as individualidades, percebendo que cada aluno, mesmo com suas limitações possui competências que precisam ser exploradas e valorizadas.  

Referências: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1996.

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