ASPECTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS FRENTE
À PROPOSTA DO ENSINO MÉDIO INCLUSIVO:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Maria das Graças da Silva Lima

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Imagem: acervo Portal Educação Inclusiva

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As últimas décadas foram marcadas por vários movimentos sociais organizados por militantes dos direitos humanos, que conquistaram o reconhecimento do direito das pessoas com deficiência à plena participação social. Essa conquista tomou forma nos instrumentos internacionais que passaram a orientar a reformulação dos marcos legais de todos os países, inclusive do Brasil. Nesse sentido, os representantes oficiais do Brasil optaram pelo sistema educacional inclusivo, portanto, em consonância com a Declaração Mundial de Educação para Todos, firmada em Jomtien, na Tailândia, em 1990 e com os postulados produzidos em 1994 em Salamanca, na Espanha, na Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: acesso e qualidade. A Educação Básica vem sendo desafiada a construir caminhos acessíveis, rompendo as barreiras existentes e consequentemente, aprendendo a ser inclusiva. Assim sendo, sente-se a necessidade de construir novos e diferentes caminhos que possam ser percorridos pelos diferentes aprendizes e que contribua na construção de uma cultura inclusiva na comunidade estudantil.

 

 

"A Educação Básica vem sendo desafiada a construir caminhos acessíveis, rompendo as barreiras existentes e consequentemente, aprendendo a ser inclusiva. "

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Imagem: Simbolo da acessibilidade

Na perspectiva da inclusão, a acessibilidade pedagógica nos remete a considerar a diversidade, valorizar as diferenças e, por conseguinte, converter o olhar de modo que as classificações sejam substituídas pelas relações produzidas por atitudes de respeito aos direitos humanos. Essa assertiva é reforçada por Mantoan (2006), quando defende que a diferença é o que existe, a igualdade é inventada. A autora supracitada reforça que a igualdade é inventada quando construímos um jeito único de caminhar e, em consequência, impomos aos outros. Dessa forma, ao reproduzir essa prática no âmbito educacional, contribuímos com a ideia de  que o trilhar é o mesmo para todos os aprendizes. E, em decorrência, fortalecemos a falácia que se tornou naturalizada socialmente: aqueles que não percorrem esse caminho são incapazes de aprender. Esse dogma de incapacidade reforça o processo de exclusão social. 

Em decorrência a acessibilidade curricular tem sido uma prerrogativa que elucida ações favoráveis a inclusão. Justifica-se, desse modo, o presente estudo por entender que a Educação Básica mostra-se como um espaço privilegiado que produz e reproduz conhecimento, sendo, portanto, um lugar onde valores e práticas inclusivas carecem ser vivenciadas. Ter em sala de aula uma pessoa com deficiência favorece a troca entre os pares e a diversidade passa a ser vista como algo que possibilita o enriquecimento, que faz a diferença. Este trabalho tem como principal objetivo, apresentar por meio de um relato de experiência os aspectos didático-pedagógicos que possibilitam a concretização de uma proposta inclusiva no ensino médio. Para tal, pretendeu-se: discutir a perspectiva educacional inclusiva, enfatizando as diferentes abordagens históricas; compreender os desafios que estão articulados a uma proposta inclusiva e que são vivenciados no cenário de uma escola pública estadual do Rio do Janeiro que oferta o Ensino Médio regular; descrever os aspectos didático-pedagógicos que foram efetivados para incluir estudantes com autismo, baixa visão e deficiência intelectual no Ensino Médio Regular. Trata- se de uma pesquisa qualitativa.

Neste cenário uma pergunta se fez primordial. Que mudanças pedagógicas são prioritárias para que se viabilize o processo inclusivo no ensino Médio? O conceito de acessibilidade pedagógica neste estudo é decorrente das ideias de teóricos como Sassaki (2009), Ausubel (2006), Mantoan (2003) e Vygotsky (1989).

Partindo desta premissa, como procedimento metodológico foi proposto a realização de uma pesquisa bibliográfica. As coletas destes dados bibliográficos subsidiaram a elaboração de um planejamento e desenvolvimento de uma formação continuada com a equipe técnica - pedagógica.

O objeto de estudo referenciado é uma Escola Pública Estadual do Rio Estadual que conta com a modalidade do Ensino Médio Regular e o Curso Normal a nível médio, atendendo jovens e adolescentes da faixa etária entre 15 a 21 anos, em dois turnos. Manhã e Tarde. A Unidade de Ensino é localizada numa zona urbana e nos arredores temos as drogas lícitas e ilícitas como ameaça. Há também um aumento de jovens que engravidam precocemente. O corpo discente é composto por alunos oriundos de bairros próximos possuidores de uma renda média de até dois salários mínimos. Muitos deles se encontram no mercado de trabalho para complementar a renda familiar.

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Imagem: Projetado por freepik

 

O corpo docente é formado por 29 professores com diversas titulações, em sua maioria é a graduação, mas destacam –se 10 com pós- graduação, 01 com mestrado, 02 com doutorado. Fato este que corrobora para que a pesquisa faça parte deste universo escolar. Os funcionários administrativos são professores readaptados por problemas de saúde e também pessoas que foram admitidas através de concurso público, sendo possuidores de diplomas do Ensino Médio, além de possuírem cursos técnicos em diversas áreas, como: secretario escolar, recreador e muito mais. Tem uma única profissional com graduação, formação em Administração escolar que contribui com seus conhecimentos.

 

"Com a gama de conhecimento sobre o aluno é proposto o estudo da deficiência pela Equipe e pelos professores."

A unidade é direcionada pela Secretaria Estadual de Educação de onde demandam as orientações, resoluções e que também checa o trabalho desenvolvido. Em Volta redonda fica localizada um pólo que representa a Seeduc, que tem como objetivo acompanhar as demandas da Unidade Escolar prestando orientações e apontando caminhos quando necessário em todas as esferas que implicam uma escola. Esta Unidade Escolar é gerenciada por uma diretora que teve sua aprovação no processo seletivo organizado pela Seeduc. Cuja principal exigência é ser professor da U.E. Os alunos são admitidos por meio do Matrícula fácil, onde é disposto dados e em seguida realizada a alocação. Após seleção pela Seeduc a Unidade escolar recebe os nomes dos alunos canditados a vaga para efetivação da matrícula. No ato do matrícula fácil o aluno declara se é portador de deficiência e na confirmação da matrícula entrega o laudo para constatação e atendimento necessário .Esses dados são repassados ao Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado que entra em contato com a U.E. para uma conversa. Nesta conversa fica estabelecido o público alvo,o tipo de deficiência e o atendimento necessário. É realizada uma entrevista com o discente com intuito de conhecê-lo e de se evidenciar suas necessidades, em seguida a família é convocada para complementar as informações. Com a gama de conhecimento sobre o aluno é proposto o estudo da deficiência pela Equipe e pelos professores .Recebemos oriundos da matrícula 03 alunos com a seguinte deficiência: Intelectual, Visual (Baixa Visão) e Transtorno Global do Desenvolvimento(Autista).

Um pouco da nossa História

Em 2016 recebemos pela primeira vez, dois alunos declarados com deficiência, fato singular para equipe técnica pedagógica que até aquele momento não haviam desenvolvidos trabalhos específicos para alunos com deficiência, não tendo vivências nesta área. A partir desse desafio o que fazer? Como proceder? Continuar da mesma forma, ignorando as individualidades dos alunos com deficiência? A opção tomada foi a mudança de paradigma. Procuramos apoio nos órgãos responsáveis, como o NAPES (Núcleo de Apoio pedagógico Especializado) que foi direcionando o que deveria ser feito. Num primeiro momento tomamos posse do laudo para estudo da deficiência. O aluno foi convidado para uma conversa com intuito de esclarecer suas necessidades. Depois conversamos com a família para saber como lidam com o filho em casa e adquirir mais informações e até saber qual o caminho traçado até o momento. A partir desta entrevista reunimos a Equipe de apoio e funcionários do turno no qual os alunos foram inseridos para orientá los em relação aos procedimentos e atitudes que deveriam ser adotados. O discente foi encaminhado a sala de Recursos chamada de Atendimento Educacional Especializado (AEE) exclusivamente para quem tem deficiência, algum transtorno global de desenvolvimento ou altas habilidades para complementação dos estudos. Durante o período da atividade complementar dos professores (Tempo disponibilizado para planejamento, organização do trabalho pedagógico), a equipe pedagógica junto aos professores orienta quanto ao desenvolvimento de atividades e recursos inclusivos, que realmente tenha significado para estes alunos. É proporcionado aos professores e funcionários um momento um momento de formação com o profissional do NAPES onde orientações e dúvidas são sanadas, momento para que eles exponham dificuldades e tirem dúvidas. São desenvolvidas atividades pela professora de Ensino Religioso visando promover a socialização, trabalhando com a diversidade. As avaliações acontecem priorizando os avanços dos alunos, mas para isso foi necessário a adequação e flexibilização curricular. As avaliações acontecem priorizando os avanços dos alunos por meio da adequação curricular. De forma bem suscinta nosso trabalho consiste em nos reunimos (todos os envolvidos) e avaliamos o plano de ensino dos alunos com deficiência. Para montar os objetivos, partimos de habilidades que eles já têm e criamos metas em função de suas possibilidades. É mantido um contato direto com o profissional da sala de recurso e a família para conhecer melhor a criança e os atendimentos que ela recebe. As adaptações necessárias foram feitas de acordo com as necessidades como: ampliação de fonte das letras, utilização de computadores, utilização de jogos e uma reorganização nos exercícios aplicados, primando-se pela objetividade, por textos menores, perguntas diretas e procurou-se disponibilizar um tempo maior para realização dos exercícios.
A procura por escolas regulares por parte da pessoa com deficiência tem aumentado a cada ano. Incluir implica mudar princípios, formar equipes e adaptar estruturas no ambiente escolar, garantindo a aprendizagem de todos – o que, na prática, pode tornar-se um grande dilema. A inclusão é um desafio.
Nem todos os profissionais de educação estão preparados e são favoráveis a inclusão, mas é importante dar uma passo. É preciso construir o processo de inclusão escolar e refletir sobre as mudanças necessárias. O ideal é que se parta do projeto político-pedagógico. Precisamos olhar para o aluno, para a pessoa e não reduzir a pessoa pela deficiência.

Conclusão:
Os alunos estão socializados, foram aprovados para o ano de escolaridade seguinte, tendo os critérios estabelecidos para os ganhos obtidos. Com a divulgação do trabalho por parte dos próprios pais e da comunidade escolar, houve aumento da procura de alunos com deficiência no ano de 2017. Os professores do referido Colégio sabem que para haja a inclusão é necessário um trabalho em equipe.

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